quinta-feira, 10 de julho de 2014

Abril de 74

É difícil definir o CE. Talvez a melhor definição seja o próprio nome. E existe uma história para o seu nome: nos meus tempos de estudante, costumava recolher os parcos apontamentos das aulas em cadernos negros, que começavam a ficar preenchidos com escritos soltos na parte final. Achei apropriado o nome de Caderno Escuro, já que tinha a intenção que o blog fosse uma amalgama de textos de toda a espécie, mas que onde os mais intimistas também tivessem lugar. Assim, e em honra ao caderno em papel, batizei-o de Caderno Escuro.

O Caderno Escuro começa na altura do boom dos blogs (se me permitem a aliteração). Embora o primeiro post é de 2007, a verdade é que já antes disso o CE começava a dar os seus primeiros passos. Devido a uma renovação no primeiro blog e por descuido do autor, esses primeiros posts foram eliminados e com os posts as datas.  

Quando surgiu o formato de blog, pareceu-me uma excelente ideia. A possibilidade de publicar para todo o mundo sem censura previa, senão a do próprio autor (que já é muita), de forma gratuita (ou quase) e relativamente fácil e rápida. Ainda hoje o penso, e defendo este formato frente a outros mais actuais e curtos, embora seja mais difícil manter uma publicação regular.

O último post data de 9 de janeiro onde tentei enunciar um manifesto individual, tenta também marcar uma intervenção mais social. Tento por isso recuperar o blog, para que seja o meu canal de participação cívica, para que a distância da emigração não apague o nosso “dever falar”.   

Gostaria de vos oferecer uma presente, já que emigração tem esta coisa boa de conhecermos outras culturas e outras gentes. Alguém há dias pediu-lhe que traduzisse uma letra de uma canção de Lluis Llach. Lluis Llach é um conhecido cantor catalão, que fez uma música que talvez vocês não a conheçam. O primeiro link é o próprio Lluis Llach, o segundo uma extraordinária versão de uma jovem cantora catalana Silvia Perez Cruz.

ABRIL 74
Companys, si sabeu on dorm la lluna blanca,
digueu-li que la vull
però no puc anar a estimar-la,
que encara hi ha combat.

Companys, si coneixeu el cau de la sirena,
allà enmig de la mar,
jo l'aniria a veure,
però encara hi ha combat.
I si un trist atzar m'atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
si guanyem el combat.

Companys, si enyoreu les primaveres lliures,
amb vosaltres vull anar,
que per poder-les viure
jo me n'he fet soldat.
I si un trist atzar m'atura i caic a terra,
porteu tots els meus cants
i un ram de flors vermelles
a qui tant he estimat,
quan guanyem el combat.

Abril de 74
Companheiros, se sabem onde dorme a lua branca,
Digam-lhe que a quero
Mas que não posso ir amá-la
Que ainda há combate.

Companheiros, se conhecem o canto da sereia,
Lá no meio do mar,
Eu iria vê-la,
Mas ainda há combate.

E se por um triste azar paro e caio a terra,
Levai os meus cantos
E um ramo de flores vermelhas
A quem tanto amei
Se ganharmos o combate.

Companheiros, se anseiam pelas primaveras livres,
Convosco quero ir,
Que para poder vivê-las
Eu me fiz soldado.
E se por um triste azar paro e caio a terra,
Levai os meus cantos
E um ramo de flores vermelhas
A quem tanto amei
Se ganharmos o combate.