É difícil definir
o CE. Talvez a melhor definição seja o próprio nome. E existe uma história para
o seu nome: nos meus tempos de estudante, costumava recolher os parcos
apontamentos das aulas em cadernos negros, que começavam a ficar preenchidos
com escritos soltos na parte final. Achei apropriado o nome de Caderno Escuro,
já que tinha a intenção que o blog fosse uma amalgama de textos de toda a espécie,
mas que onde os mais intimistas também tivessem lugar. Assim, e em honra ao
caderno em papel, batizei-o de Caderno Escuro.
O Caderno
Escuro começa na altura do boom dos blogs (se me permitem a aliteração). Embora
o primeiro post é de 2007, a verdade é que já antes disso o CE começava a dar
os seus primeiros passos. Devido a uma renovação no primeiro blog e por
descuido do autor, esses primeiros posts foram eliminados e com os posts as
datas.
Quando
surgiu o formato de blog, pareceu-me uma excelente ideia. A possibilidade de
publicar para todo o mundo sem censura previa, senão a do próprio autor (que já
é muita), de forma gratuita (ou quase) e relativamente fácil e rápida. Ainda
hoje o penso, e defendo este formato frente a outros mais actuais e curtos,
embora seja mais difícil manter uma publicação regular.
O último
post data de 9 de janeiro onde tentei enunciar um manifesto individual, tenta
também marcar uma intervenção mais social. Tento por isso recuperar o blog,
para que seja o meu canal de participação cívica, para que a distância da emigração
não apague o nosso “dever falar”.
Gostaria de
vos oferecer uma presente, já que emigração tem esta coisa boa de conhecermos
outras culturas e outras gentes. Alguém há dias pediu-lhe que traduzisse uma
letra de uma canção de Lluis Llach. Lluis Llach é um conhecido cantor catalão,
que fez uma música que talvez vocês não a conheçam. O primeiro link é o próprio
Lluis Llach, o segundo uma extraordinária versão de uma jovem cantora catalana
Silvia Perez Cruz.
ABRIL 74
Companys,
si sabeu on dorm la lluna blanca,
digueu-li
que la vull
però no puc
anar a estimar-la,
que encara
hi ha combat.
Companys, si
coneixeu el cau de la sirena,
allà enmig
de la mar,
jo l'aniria
a veure,
però encara
hi ha combat.
I si un
trist atzar m'atura i caic a terra,
porteu tots
els meus cants
i un ram de
flors vermelles
a qui tant
he estimat,
si guanyem
el combat.
Companys,
si enyoreu les primaveres lliures,
amb
vosaltres vull anar,
que per
poder-les viure
jo me n'he
fet soldat.
I si un
trist atzar m'atura i caic a terra,
porteu tots
els meus cants
i un ram de
flors vermelles
a qui tant
he estimat,
quan
guanyem el combat.
Abril de 74
Companheiros,
se sabem onde dorme a lua branca,
Digam-lhe
que a quero
Mas que não
posso ir amá-la
Que ainda
há combate.
Companheiros,
se conhecem o canto da sereia,
Lá no meio
do mar,
Eu iria
vê-la,
Mas ainda
há combate.
E se por um
triste azar paro e caio a terra,
Levai os
meus cantos
E um ramo
de flores vermelhas
A quem
tanto amei
Se
ganharmos o combate.
Companheiros,
se anseiam pelas primaveras livres,
Convosco
quero ir,
Que para
poder vivê-las
Eu me fiz
soldado.
E se por um
triste azar paro e caio a terra,
Levai os
meus cantos
E um ramo
de flores vermelhas
A quem
tanto amei
Se
ganharmos o combate.